A natureza fez sua parte e foi mais do que pródiga: espalhou por todo o território brasileiro essa árvore preciosa, fonte de óleo riquíssimo em propriedades medicinais. Cabe aos cientistas, agora, dar o salto que pode transformar a substância em remédio. E eles já estão pondo mãos à obra para sintetizar em laboratório um composto à base do óleo. Ao que tudo indica, seu princípio ativo é capaz de um feito e tanto: matar nove tipos de célula cancerosa.
Os primeiros experimentos aconteceram no Instituto de Química da Universidade de Campinas (Unicamp), no interior paulista, sob orientação do pesquisador Paulo Imamura. E o ponto de partida foi um insight. Ele já conhecia a ação poderosa de um composto químico, o hyrtiosal, contra várias linhagens de câncer.
Mergulhado em estudos, descobriu semelhanças entre suas moléculas e as do óleo de copaíba.
Decidiu, então, analisar a fundo as propriedades da planta brasileira. Bem pensado. Na natureza, o hyrtiosal aparece apenas em esponjas marinhas da espécie Hyrtios erectus, "exclusiva dos mares do Japão, Micronésia, Indonésia e também no mar Vermelho", como aponta o zoólogo Eduardo Hajdu, da Universidade Federal do Rio de Janeiro.
A copaíba, por sua vez, é abundante por aqui. Além disso, a extração do óleo é fácil e tem custo reduzido. Diante de tantas vantagens, Paulo Imamura sugeriu à química Inês Lunardi, também da Unicamp, que estudasse o assunto. E assim ele virou tema da tese de doutorado dela."Para transformar o ácido copálico da planta no hyrtiosal das esponjas, isolei uma molécula e a submeti à diversas reações", revela a química. Na etapa seguinte o composto metamorfoseado foi a teste, aplicado em células de nove tipos de câncer: leucemia, melanoma, mama, mama resistente (um tumor mais específico que não costuma responder a tratamentos), pulmão, próstata, ovário, rins e de cólon. Os melhores
resultados, com inibição do crescimento e morte de células malignas, apareceram na leucemia e
no melanoma. "Este último é difícil de tratar
porque se espalha depressa", diz à SAÚDE! o médico João Ernesto de Carvalho, também da Unicamp, responsável por essa fase. É claro que o entusiasmo é relativo, já que os testes deram certo em laboratório. Também falta descobrir a existência de possíveis efeitos colaterais. A torcida é para que se diferencie dos quimio-terápicos, muito tóxicos. "Ainda não existe nenhum remédio que aja apenas sobre as células doentes", lembra João Ernesto. Quem sabe o novo composto natural não teria a capacidade de atuar de forma seletiva? O tempo dirá.
O óleo de copaíba é cicatrizante, antiinflamatório, combate males ginecológicos e câncer, reza a medicina popular. Na Universidade Estadual do Pará, em Belém, um núcleo especializado em pesquisas sobre o produto fez o teste em cobaias doentes. "O crescimento de tumores diminuiu em 36%, conta o médico Marcus Vinícius Brito. Mais: ajudou a cicatrizar feridas. "Nas cirurgias plásticas, o óleo da copaíba poderá evitar a formação de quelóides”, acrescenta.
Onde achar o óleo: o óleo de copaíba é encontrado à venda em farmácias de manipulação
Conheça no site www.revistasaude.com.br as aplicações do óleo de copaíba em distúrbios ginecológicos.
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