O DESENVOLVIMENTO DA HOMEOPATIA
Após seis anos de experiências com diversas substâncias, Hahnemann acumulara grande quantidade de informações sobre seus efeitos.
A partir dessa pesquisa minuciosa dos "perfis de drogas" que compilara, passou à próxima etapa de seu trabalho, que era experimentar cada substância em pessoas doentes, a fim de verificar se elas se beneficiariam ou não. No entanto, antes de fazê-lo, ele procedia a um exame físico de cada paciente e os interrogava detalhadamente sobre os sintomas, quais fatores melhoravam ou pioravam seu estado, a saúde geral, o modo como viviam e a perspectiva de vida. Depois de anotar todos esses detalhes, Hahnemann conseguia montar um "quadro de sintomas" de cada paciente. Comparava-o, então, ao perfil de várias substâncias. Ele só prescrevia um medicamento depois de encontrar a combinação mais próxima.
Descobriu, assim, que quanto mais próxima a combinação, mais bem-sucedido era o tratamento.
Novos PRINCÍPIOS MÉDICOS
Hahnemann concluiu que havia de fato descoberto um novo sistema de medicina, no qual uma droga e uma doença que produzem sintomas semelhantes anulam-se uma à outra, restituindo a saúde do paciente. Ele descrevia esse fenômeno como similia similibus curentur, ou "semelhante cura semelhante", que é a primeira e suprema lei da homeopatia.
Em 1796, foi publicado o primeiro livro de Hahnemann sobre esse novo sistema de medicina. Um novo principio para a descoberta dos poderes curativos dos medicamentos e um panorama sobre os princípios existentes. Nesse livro, ele dizia: "Deve-se imitar a natureza, que, às vezes, cura uma doença crônica com outra doença. Deve-se aplicar à doença, principalmente se for crônica, o medicamento capaz de estimular outra doença artificialmente produzida que seja o mais semelhante possível àquela, para que assim se possa curá-la”. Hahnemann denominou esse princípio de cura homeopatia – da raiz grega homeo, que significa “semelhante”, e pathos, que significa “sofrimento”. Em 1810, ele estabeleceu os princípios da homeopatia no Organon da medicina racional e, dois anos depois, começou a lecionar essa disciplina na Universidade de Leipzig.
MEDICAMENTOS DILUÍDOS
Alguns dos medicamentos administrados por Hahnemann eram venenosos, e ele aplicava doses bem pequenas, diluídas. Não obstante, ficou perplexo ao saber que alguns de seus pacientes relatavam uma piora nos sintomas, antes de qualquer melhoria. Para evitar esses "agravamentos", como ele os chamava, modificou o método de diluição. Criou um processo de duas etapas pelo qual diluía cada medicamento por meio de "sucussão", ou seja, agitando-o vigorosamente e batendo-o numa superfície dura, a cada estágio da diluição. Acreditava que, ao sacudir o medicamento vigorosamente, liberava a energia da substância. Para surpresa de Hahnemann, além de cessarem aqueles fortes agravamentos, os medicamentos diluídos também pareciam agir com mais rapidez e eficiência do que as soluções mais concentradas. Embora fossem mais fracos, eram mais potentes. Por isso, Hahnemann chamou esses novos medicamentos homeopáticos de "potenciações". Na homeopatia, emprega-se o termo "potência" para definir a diluição ou a força do medicamento.
Hahnemann continuou a fazer experiências com a diluição de medicamentos até o fim da vida, utilizando soluções cada vez mais fracas, que, paradoxalmente, tornavam-se cada vez mais potentes. Os medicamentos tornaram-se tão diluídos que não mais continham uma única molécula da substância original utilizada em sua preparação, contudo, permaneciam extremamente eficazes. Durante sua vida, Hahnemann comprovou a eficácia de mais ou menos cem medicamentos homeopáticos. Acreditava que se devia aplicar apenas um único remédio, durante o período de tempo mais curto possível, para estimular o poder de cura do corpo.
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